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Quem é o maior matador do Brasil? novembro 24, 2009

Posted by sandrogalarca in Uncategorized.
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Sexta-feira, 20 de novembro, estive em Rio do Sul, Médio Vale do Itajaí, para a palestra do jornalista Caco Barcellos, de Rede Globo. O tema, Mídia e Violência, foi acompanhado com bastante interesse no Congresso de Jornalismo da Unidavi. Levei um grupo de alunos da Univali, encontrei alguns ex-alunos e colegas de profissão por lá.
Caco falou basicamente sobre violência urbana, com dados atuais e também lembrou informações importantes que às vezes são esquecidas pela sociedade, muitas delas levantadas em seus dois principais livros: Rota 66 e Abusado.
Bom, você deve estar curioso para saber quem é o maior matador do Brasil. Pois, depois de uma hora e meia de palestra, depois de apresentar muitos dados consistentes de quem trabalha o dia-a-dia da violência, Caco responde por mim: o maior matador do Brasil não é nenhum assassino profissional, não está em evidência na mídia, não tem ficha policial e não está sendo perseguido neste exato momento.
O maior matador do Brasil é como você e eu: branco, classe média, boa formação escolar, residência fixa, emprego, carro e família. O maior matador brasileiro é o cidadão comum. Acredite. Em um ano, no Rio de Janeiro, foram mais de 1.150 homicídios. Deste total, 5% foi praticado pelo bandido, pelo marginal, pelo delinquente com passagem pela polícia ou com histórico de crime. Outros 25% são praticados pela Polícia, “na defesa dos cidadãos e no combate à delinquência”. As aspas são do próprio Caco. E os outros 70% são praticados por cidadãos comuns.

Sobre os crimes praticados pela Polícia, lembrou do livro escrito em 1991, o Rota 66 – A história da Polícia que mata. No livro, que li ainda na faculdade, Caco Barcellos registrou uma estatística esclarecedora: das 4.200 pessoas mortas pela Polícia de São Paulo em cinco anos, 3.200 foram execuções. Entre as vítimas, 3197 eram pobres. Apenas 3 de classe média. “Provavelmente, mortos por engano”, lembrou o repórter.
Com certeza, Caco Barcellos provocou inquietações no auditório – muitos advogados, professores, estudantes de direito, a classe média dominante representada deve ter ficado incomodada com o que foi apresentado.
Ainda sobrou tempo para provocar as autoridades e cutucar a imprensa: “tem que mostrar o estrago que a bala do fuzil do traficante faz no carro da Polícia. Mas tem que mostrar que a mesma bala quando sobe o morro passa por três paredes de alvenaria e mata inocentes enquanto dormem, o projétil que chega no barraco atravessa o corpo do pai, da mãe e da filha do traficante de uma só vez. Mas isso não é mostrado na TV”.
Ao final, sobrou tempo para uma tietagem, uma conversa rápida e uma troca de experiências, em vetor desproporcional, é claro. Estudamos na mesma faculdade (ambos somos formados pela Famecos, PUC-RS), ambos fomos repórteres em Porto Alegre, somos jornalistas, gaúchos, mas as comparações param por aí. Aqui, o jornalista virou fã e ainda ganhou autógrafo na primeira página de Abusado. “Parabéns pelo trabalho no Profissão Repórter e pela coragem em defender o jornalismo nesta palestra”, foi o máximo que pude dizer antes de ser empurrado por dezenas de meninas, que queriam uma fotinho com o que, para elas, não passa de mais uma celebridade global.

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